segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Dia Perfeito

- AAAH, finalmente você chegou! – exclama a mulher, no instante em que escuta a porta principal se abrir.
- Hm, ola querida. – diz o marido, deixando a maleta e o terno sobre o encosto do sofá e andando em direção a esposa de braços abertos.
- Por que demorou tanto? – esquiva-se, andando em direção a mesma porta pela qual Alberto entrara – Que eu saiba o consultório fechou a mais de duas horas.
- Eu peguei um pouco de...
- Transito? Aonde, Alberto? Segundo o jornal, não tem transito em nenhuma avenida principal.
- Bom, eu fiz um caminho...
- Alternativo? Entendo. E você pode descrevê-lo pra mim, Alberto? Estou muito interessada em conhecer esse caminho. – Márcia, irônica, sentou-se no sofá, cruzando as pernas e os braços e lançando a seu marido um olhar de desdém.
- Posso, Márcia, claro que posso. Afinal, já estou acostumado a descrever e relatar cada segundo do meu dia para você. – disse, finalizando com um longo suspiro enquanto sentava-se em sua poltrona quase que de estimação.
- O que você quer dizer? Que eu sou uma dissimulada sem propósito e que você eh apenas um pobre coitado que volta pra casa todas as noites, pensando nas horas que faltam para você ter que ir trabalhar novamente?
- Basicamente isso.
- Mas que absurdo, Alberto! Eu sou uma pessoa totalmente sã! Você acha que eu não sei o que você faz toda noite, quando sai por essa porta – Márcia estica o braço na direção da porta, posteriormente voltando a apontá-lo ameacadoramente para o marido –dizendo que esta indo para o trabalho? Eu sei muito bem! Eu vejo tudo nas novelas! Aqueles cachorros que deixam as mulheres em casa, cuidando da casa como escravas, enquanto estão por ai, jogados na cama de outra qualquer!
- Novela, Márcia? Você baseia nosso relacionamento no que você vê na novela? – exclamou Alberto, indignado.
- Claro, Alberto, acorda! Novela eh o espelho da realidade! Eh quase uma lição de vida! – enquanto falava, Márcia tinha o rosto transfigurado em paixão. Pela novela, obviamente.
- Você só pode estar de brincadeira comigo. – um único olhar foi o suficiente para que Alberto caísse em descrença. – Vou começar a assistir, então. Quem sabe eu não aprendo como me livrar de uma pessoa em seu ápice de insanidade!
Márcia, num salto, já estava de pé e, com passos que pareciam furar o assoalho, foi em direção ao quarto. Antes de bater a porta, gritou: “Você vai dormir no sofá! Quem sabe dormir com a TV faca você refletir sobre minha insanidade!”
- FELIZ 5 ANOS DE CASADO! – gritou Alberto, em resposta.

#A péssima qualidade do texto deve-se a pressão que meu querido autor do post abaixo fez. Obrigada!
# Brincadeira, a culpa eh minha mesmo

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