Marcelo caminhava apressado pela calçada iluminada pela luz amarelada do por do sol.
No contra-fluxo surge Lídia, sua professora de história do colegial.
Ela não sabia, mas era por causa de suas aulas que Marcelo decidiu seguir carreira de historiador.
Carreira esta que não ia nada bem, aliás, voltava de mais uma frustrada entrevista de emprego.
- Lídia!! Quanto tempo! Será que voce ainda lembra de mim?
- Hum, perdão, voce me é bastante familiar, mas... É que são tantos rostos...
- Claro, eu imaginei! Mas eu fui seu aluno, exatamente 5 anos atrás! 3° cloegial do colégio Polígono!
- Ah, sim! Marcelo, não é?! Um dos meus melhores alunos! E como anda a vida??
- Ah, voce sabe como é essa vida de historiador!
- Historiador??? Que legal!!! Tive alguma coisa a ver com isso?
- Magina, só tudo!!!
- Hahahá! Que bom!!! Mas e aí, pelas minhas contas... Recém formado, não?
- Pois é! Recém formado e desempregado...
- Mentira!
- É, sim. Mas fiquei sabendo que você não dá mais aula no Poligono. Porque?
- Ah, consegui um emprego na faculdade ASGP, núcleo de história da humanidade!
- História da humanidade? Nossa, justo minha escolha para o doutorado!
- Mentira! Acho que hoje é seu dia de sorte!
- Impossível! Acabo de sair de mais uma entrevista de emprego fracasada!
- Há, pois acaba de ser bem sucedido em outra! Estava precisando de um assistente pro núcleo! E Acabei de achar!
Mas, não!
Marcelo prefiriu desviar o olhar, achando que se a abordasse correria o risco de passar vergonha por ela não se lembrar dele.
Abaixou um pouco a cabeça, apertou o passo. Lídia até olhou para ele com um ar familiar, mas é claro que não lembrava
totalmente dele, foram tantos rostos durante os cinco anos que se passaram.
Passou despercebido, perdeu a oportunidade de sua vida!
Porque?
Só vergonha? Não!
Medo? Não!
Não dá para saber ao certo. Mas um sentimento de pressa para chegar em casa e não fazer simplesmente nada não o deixou
"desperdiçar seu tempo com uma conversa que não levaria a nada"!
Levaria, sim!
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