quarta-feira, 1 de abril de 2009

Não respeito, Não justiça, Sim Violência

      Violência, medo. Quando pequeno, aprendi a olhar para os dois lados para evitar um atropelamento. Hoje, no auge dos quarenta anos, olho por outro motivo. Por precaução. Pra mim é mais fácil, realmente, andar pelas ruas e não precisar dar aquela olhada pelo canto do olho com tanta freqüência. Para minha mulher é um pouco diferente. Sem poder se defender, ela é totalmente submissa a violência. Não deveria. Ninguém deveria.
      Acostumados, não nos damos conta de que atribuímos a violência de maneira tão natural ao nosso dia-a-dia. Lemos, ouvimos e reagimos como se não passasse de um simples acontecimento. Crianças cometendo crimes dentro de suas instituições de ensino, nas ruas. Cada vez mais profissionais, cada vez mais constantes. Como se não existisse outra saída, oportunidade. Existe. Do meu ponto de vista, existe. Mas o ser humano é assim mesmo, sempre opta pelo mais “fácil”. Afinal, para que ir atrás de uma educação, um emprego justo, se eu posso roubar tudo que preciso? Todos culpam o governo, mas não é o governo que faz as pessoas. São as pessoas que fazem o governo. E se essas pessoas não vão atrás, apenas se rendem a realidade que esta imposta, então o que o governo pode fazer? Tentativas não fazem tanta diferença, apesar de agradarem os olhos.
      Rosana foi assaltada hoje, quando voltava para casa. Em questão de segundos, dois moleques quebraram o vidro e arrancaram sua bolsa pela janela, correndo em seguida. Ela não sabia se corria atrás ou se permanecia no carro. Perplexa, ficou imóvel, perdida na sua descrença. Um carro aproximou-se.
- Poxa... – disse o motorista, procurando um sentido para aquela aproximação.
- É, neh. – respondeu minha esposa.
      Chegou em casa aos prantos, depois de um dia exaustivo em busca de suas coisas. Na delegacia, encontraram sua carteira, documentos e cartões de credito. So queriam os quarenta reais e tudo mais que pudessem vender, a bolsa, o óculos escuro e o de grau. Desolada, clamou por carinho. Revoltado, entrei em desespero. Já não podia mais proteger minha família.
      No dia seguinte, fiquei vinte minutos encarando o guia de são Paulo que acabara de publicar. Talvez devesse ter adicionado a violência como qualidade da cidade. Não seria mentira.

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