Ele entrou pela porta, sentindo o vento balançar-lhe os cabelos. A janela escancarada, um lençol amarrado ao pe da cama cuja outra extremidade pendia para o lado de fora. Ela fora embora, já esperava. Os passos aflitos da empregada maltratando o assoalho, o ronronar do gato que encarava a janela.
- Senhor...
- Tire o dia de folga, Marieta. Quero ficar sozinho.
Ao retirar-se, a serviçal encostou a porta. Aproximando-se do gato, Miguel encarou a vista. O vento tumultuava as arvores assim como os papeis soltos pelo quarto. Miguel sentia falta. Sua expressão transparecia sua infelicidade e sua posição: não a procuraria. Carolina decidira-se e não voltaria atrás, sabia. O orgulho dos dois, sempre tão parecido e certo, agora os separava, talvez por teimosia ou fosse por tristeza. Enquanto apertava a manta contra o corpo, Carolina remoia-se. Sentada na carruagem fria e solitária, prestava atenção no trotar dos cavalos que a guiavam. Perdia-se nas lembranças, na duvida. Não tinha provas contra Miguel, mas sua intuição não a permitia olhar para trás. Nunca voltaria atrás.
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