Ele andava despreocupado pela rua, apesar da escuridão que aos poucos a consumia por inteiro. Os postes, separados uns dos outros por exageradas distâncias, não atingiam boa parte da rua. Era domingo e sua mãe o esperava em casa. Voltava do parque, onde tinha passado a tarde observando as pessoas, as plantas, o movimento. Fazia pouco tempo que sua mãe permitira que tivesse tamanha liberdade e aproveitava-a todos os instantes que podia. Não sentia medo, como nas outras ruas. Aquela era a dele, tinha certeza. Contando os quarteirões em voz baixa e ofegante, sabia que estava próximo. Faltavam 10 casas.
- Ei, você ai! – ouviu um homem gritar. Virou para trás, assustado e logo foi cercado por um grupo de homens. Tentou contá-los, gostava de contar. Mas enquanto girava, encarando-os, foi atingido na cabeça. Caiu.
- O que se pensa que ta fazendo? Fica parado ai! – parecia outra voz, igualmente masculina. Não sabia direito, já não enxergava. Rolando o corpo até sentir as costas no chão, balbuciou algumas palavras. Em resposta, recebeu um chute do lado esquerdo do corpo. Já não balbuciava, gemia. Quase não respirava, tamanha era a velocidade com que seu coração batia e a intensidade na qual seu corpo latejava.
- Ou, espera ae! Ele é deficiente, velho!
- I dai? Mais um motivo! É um anormal, isso sim! – e mais um chute. Um soco nas costelas. As costas raspando nos asfalto enquanto era arrastado alguns metros pelas pernas. Mais alguns chutes, outros socos. Talvez até alguns tapas. A maioria tinha sido no rosto. Os olhos amendoados sempre fechados, lacrimejavam. Os dedos curtos abraçavam o corpo com força. Já não mais gemia, se quer se mexia. Então, pararam. Saíram correndo, evitando os olhares que recebiam de alguns moradores pela janela. Ninguém, no entanto, via o mediano homem estirado no asfalto, inconsciente.
Foi encontrado na mesma posição, algum tempo depois, e internado no hospital de Santa Maria. Em declaração para a televisão, sua família pediu ajuda para possíveis testemunhas. Ele não teria condições para identificar os agressores, assim como não tinha condições de passar por uma situação daquelas. De qualquer modo, era o último domingo que passava no parque até tão tarde. Era o último domingo.
Essa crônica foi baseada numa notícia do site Globo.com . Para detalhes da notícia, clique aqui
tá muito bom!Muito tocante...
ResponderExcluirfazia tempo que nao lia uma crônica desse nível :)
Anna, venho por meio deste contemplar minha imensa satisfação por seus comentários em meu blog. fico muito grata mesmo. são poucos os que vão por troca de nada. ah! não se preocupe se escrever demais, adoro ler as críticas, os elogios, o que estiver disposta a compartilhar comigo das suas opiniões. espero realmente que continue me visitando. virei por aqui sempre que eu puder, mesmo pq, eu adorei o seu blog também. e o seu texto está maravilhoso, sem dúvidas. beeijos, querida!
ResponderExcluirtocante (: voce que fez?
ResponderExcluirpassa la,post novo
beijos
Ótima a sua crônica vio :)
ResponderExcluirTambem to seguindo seu blog.
Beeeeeijos